A CONSTRUÇÃO DA CONFIANÇA

O maior patrimônio de uma liderança maçônica


Hélio Pereira Leite

DA SÉRIE: LIDERANÇA E VISBILIDADE NA MAÇONARIA
Reflexões sobre a governança no Grande Oriente do Brasil

Toda liderança recebe um cargo por decisão institucional. A confiança, porém, não acompanha automaticamente a posse. Ela precisa ser construída, cultivada e confirmada diariamente por meio de atitudes.

Na Maçonaria, onde a palavra empenhada, a honra e a fraternidade ocupam lugar central, a confiança constitui o alicerce sobre o qual se desenvolvem todas as relações institucionais.

Ela não nasce dos discursos, nem da autoridade formal conferida por um mandato. Surge da coerência entre aquilo que o líder diz e aquilo que efetivamente pratica.

Os irmãos observam atentamente essa coerência.

Ao longo do tempo, cada decisão, cada visita, cada pronunciamento e cada gesto contribuem para formar a imagem que a comunidade maçônica constrói de seus dirigentes. Não é um processo imediato. A confiança cresce lentamente, alimentada pela constância, pela serenidade e pelo respeito demonstrado no exercício da liderança.

Da mesma forma, pode ser enfraquecida quando há incoerência, falta de diálogo ou distanciamento das bases.

Por isso, liderar exige muito mais do que competência administrativa. Exige credibilidade.

A credibilidade é construída quando o dirigente cumpre compromissos, respeita as instituições, trata todos os irmãos com igualdade e demonstra, por suas atitudes, que coloca os interesses da Ordem acima de qualquer conveniência pessoal.

Outro elemento essencial da confiança é a previsibilidade.

Os obreiros sentem-se seguros quando sabem que seus dirigentes agirão sempre orientados pelos mesmos princípios, independentemente das circunstâncias. Essa estabilidade tramite serenidade à instituição e fortalece a governança.

Também a transparência desempenha papel decisivo.

Explicar decisões, prestar contas das ações desenvolvidas, comunicar objetivos e compartilhar resultados são atitudes que aproximam a administração das bases e fortalecem o sentimento de participação.

A confiança cresce quando os irmãos compreendem não apenas o que foi decidido, mas também por que determinada decisão foi tomada.

Instituições democráticas convivem com opiniões diversas, interpretações distintas e legítimos debates sobre seus rumos. Isso faz parte da riqueza da vida institucional.

Entretanto, mesmo diante das divergências, a confiança permanece quando existe convicção de que as decisões foram tomadas com honestidade, boa-fé, respeito às normas e compromisso com o interesse maior da Ordem.

Há ainda um aspecto frequentemente esquecido. A confiança é construída em duas direções.

Assim como os obreiros precisam confiar em seus dirigentes, os dirigentes também, necessitam confiar na maturidade, na lealdade e na capacidade de participação dos irmãos. Essa relação recíproca fortalece a fraternidade e cria um ambiente propício ao diálogo e à cooperação.

Com o passar dos anos, os cargos mudam de ocupantes, as administrações se sucedem e novos desafiam surgem. O que permanece é a reputação construída ao longo da caminhada.

A história da Maçonaria demonstra que os líderes mais lembrados não foram necessariamente aqueles que exerceram os maiores poderes, mas os que inspiraram maior confiança.

Confiar para unir, confiança para ouvir, confiança para decidir com equilíbrio e confiança para conduzir a Instituição mesmo nos momentos mais difíceis.

Ao final, compreende-se que esse é o patrimônio mais valioso de qualquer liderança. Nenhum regulamento pode concedê-lo. Nenhuma eleição pode garanti-lo.

A confiança é conquistada no cotidiano, preservada pela coerência e consolidada pelo exemplo.

E talvez seja essa a mais elevada distinção que um dirigente maçônico possa receber de seus irmãos: ser reconhecido como alguém em quem a Ordem sempre pôde confiar.

Helio Pereira Leite - Um eterno buscador
Brasília, DF, 06 de agosto de 2026

Helio Pereira Leite, Nasceu em Fortaleza – Ceará, em 07 de agosto de 1940. Em 1959, concluiu o Curso Científico, no Liceu do Ceará.

Ainda em Fortaleza, fez  o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR de Fortaleza, turma de 1960).

Em São Luís (Maranhão) serviu como Oficial R-2 de Infantaria, no 24° Batalhão de Caçadores.

A partir de l963, radicou-se em Brasília, onde ingressou no Serviço Público, constituiu família e se bacharelou em Direito (CEUB, turma de 1972).

Em 1966, ingressou na Loja Maçônica União e Silêncio, federada ao Grande Oriente do Brasil.

Exerceu diversas funções maçônicas, destacando-se a de Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal (gestã0 2003-2007).

Recebeu  várias comendas maçônicas, dentre as quais a Cruz da Perfeição, após quarenta anos  de atividades na Arte Real.

Participou do 4º Ciclo da ADESG-DF (turma 1975).

É Cidadão Honorário de Brasília, título concedido pela Assembleia Distrital Legislativa do Distrito Federal.

Presidiu a APAE-DF, tendo exercido o cargo de Procurador Geral da Federação Nacional das APAEs.

Produções literárias:  Ensaio –“ Maçonaria e Intelectualidade” (1989); Diário de Viagem – “Cuba, uma Ilha, dois países” (2002); “100 Peças de Arquitetura” (2010, organizado com Kleber S. Nascimento).

Do maçom Helio Pereira Leite veja também os artigos:

- A Construção da Confiança - O maior patrimônio de uma liderança maçônica

- Quando, como e por que podemos considerar um Grão-Mestre Geral do GOB um Estadista Maçônico

- Conselho Federal do Grande Oriente so Brasil

- Banquete Maçônico

- Pai, Tempo, e a Virgem Chorosa

- Ordem, Lei e Justiça, As Três Colunas Mestras do Grande Oriente do Brasil

- Encontro Nacional das Academias Maçônicas de Letras

Grande Oriente do Brasil, Uma Federação Maçônica Republicana

- Absai Gomes de Brito

- Grão-Mestres Gerais do Grande Oriente do Brasil

- Saudação a Cleber Tómas Vianna

- Potências Maçônicas e as Academias de Letras, Artes e Ciências Maçônicas

- O Poder Legislativo do Grande Oriente do Brasil se instala na cidade de Blumenau

- Na vida tudo passa, Só fica a Fotografia

- Novas Lideranças Maçônicas

- 1º Congresso Nacional das Academias Maçônicas - CONAMA

- Banquete Maçônico - Antiga Tradição da Arte de Comer Beber e de Festejar

- A Academia Internacional de Maçons Imortais - AIMI e a sua Capilaridade Literária e Cultural no Brasil Maçônico

- Grão-Mestres Gerais do Grande Oriente do Brasil com quem Convivi e Convivo

- Lauro Sodré: Arquétipo do Grão-Mestre Estadista na Maçonaria Brasileira

- O Brasil e o Grande Oriente do Brasil: uma dívida histórica de memória e reconhecimento

- Grão-Mestres Gerais por Decreto: o Legado de dez Maçons à Ordem e ao Brasil

- Os primeiros grandes representantes do Grande Oriente do Brasil, Diplomacia Maçônica e Garantias de Amizade

- A mesa como símbolo universal: o Mestre de Banquetes e a Fraternidade Humana

- 1963 - 1968 O quinquênio que transformou o Grande Oriente do Brasil

- De Israel ao mundo, Michael Witnetzki

- A Evolução da Soberania das Potências Maçônicas Brasileiras

Voltar a página principal

Abel Tolentino
WebMaster

Atualização 07/08/2026

O que é a maçonaria - Histórico da Loja - Eventos - Fotos - Fraternidade Feminina - Rito Brasileiro - Peças de Arquitetura - Avental - Brasão - Assembleia - Academia
Monumentos - Músicas - Vídeos - Goiás Maçônico - Títulos e Condecorações - Relação de Lojas do GOB-GO - Histórico do GOB-GO - Rosacruz - Efemerides