GRÃO-MESTRES GERAIS POR DECRETO: O LEGADO DE DEZ MAÇONS À ORDEM E AO BRASIL

Hélio Pereira Leite


Ao longo de sua história bicentenária, o Grande Oriente do Brasil reservou o título de Grão-Mestre Geral por decreto a um grupo restrito de Irmãos cuja trajetória ultrapassou os limites da administração interna da Maçonaria. Trata-se de distinção honorífica excepcional, concedida àqueles que, por seus serviços extraordinários, deixaram marcas profundas tanto na Ordem quanto na própria formação do Estado brasileiro.

Os dez nomes agraciados com essa dignidade compõem um mosaico revelador: juristas, militares, estadistas, intelectuais e diplomatas. Em comum, todos expressaram, em sua vida pública, valores caros à Maçonaria – legalidade, civismo, equilíbrio institucional e compromisso com o bem comum.

O Barão de Ramalho (Joaquim Ignácio Ramalho), magistrado de prestígio no Império, representa a Maçonaria comprometida com a consolidação do Direito e da ordem constitucional. Seu legado está associado à busca de respeitabilidade pública da Ordem num período em que liberalismo, laicidade e legalidade ainda eram conquistas em disputa.

Carlos Ruiz, por sua vez, simboliza a diplomacia maçônica internacional. Em tempos de afirmação institucional do GOB, sua atuação contribuiu para o reconhecimento externo da Maçonaria brasileira, fortalecendo laços de amizade e legitimidade junto a potências estrangeiras.

Figura central da transição do Império para a República, o general Francisco Glicério encarna a Maçonaria militante do civismo republicano. Mais do que conspirador, foi organizador político e defensor do federalismo, ajudando a estruturar o novo regime nos seus anos iniciais.

Antônio Pinto Mendes destacou-se pelo perfil administrativo e legalista. Seu legado reside no fortalecimento do GOB como instituição estável, afastada de personalismos  e orientada por normas claras - um reflexo direto da própria concepção republicana de Estado.

Antônio G. P. de Sá Peixoto contribuiu para a consolidação do modelo federativo do GOB, valorizando a autonomia das Lojas e das representações estaduais, sem romper a unidade nacional da Obediência - um espelho do pacto federativo brasileiro.

Palmeiras de Carvalho Cantanhede representa a interiorização da Maçonaria, levando a presença do GOB para além dos grandes centros urbanos. Seu legado está na expansão territorial e social da Ordem, ampliando sua capilaridade e influência cívica.

Raimundo Floresta de Miranda destacou-se como intelectual da Ordem. Sua contribuição foi menos visível ao grande público, mas essencial: o aprofundamento doutrinário, simbólico e ético da prática maçônica, reforçando seu papel como escola de formação moral.

O general Lauro Sodré, governador, senador e presidente do Clube Militar, simboliza a convergência entre valores militares e princípios maçônicos. Defensor da soberania nacional e da institucionalidade republicana, demonstrou que disciplina e liberdade não são conceitos antagônicos.

Caso singular, Bernardino Machado, duas vezes presidente de Portugal, recebeu o título como expressão de fraternidade maçônica internacional. Sua distinção reforça a ideia de que a Maçonaria transcende fronteiras nacionais, unindo povos por valores comuns de liberdade e nacionalidade política.

Por fim, o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, talvez seja o mais emblemático entre os agraciados. Sua homenagem não foi política, mas simbólica. Ao reconhece-lo como Grão-Mestre Geral por decreto, o GOB exaltou nele a virtude da ordem com legalidade, da autoridade exercida como dever, e não como arbítrio.

Ao conceder o título de Grão-Mestre Geral por decreto a esses dez Irmãos, o Grande Oriente do Brasil deixou clara uma mensagem institucional: a grandeza da Maçonaria não se mede apenas por seus rituais ou templos, mas pela capacidade de seus membros de servir ao Brasil em momentos decisivos de sua história.

Esses homens demonstraram, cada um a seu modo, que a Maçonaria brasileira foi - e pode continuar sendo - um espaço de formação de líderes comprometidos com a estabilidade, a justiça e o interesse público. Em tempos de descrédito das instituições, revisitar esse legado não é exercício de nostalgia, mas um convite à reflexão sobre o papel contemporâneo da Ordem na vida nacional.

Fonte de apoio: Livro Maçônico do Centenário, GOB, 1922

Helio Pereira Leite - Um eterno buscador
Brasília, DF, 30 de janeiro de 2026

Helio Pereira Leite, Nasceu em Fortaleza – Ceará, em 07 de agosto de 1940. Em 1959, concluiu o Curso Científico, no Liceu do Ceará.

Ainda em Fortaleza, fez  o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR de Fortaleza, turma de 1960).

Em São Luís (Maranhão) serviu como Oficial R-2 de Infantaria, no 24° Batalhão de Caçadores.

A partir de l963, radicou-se em Brasília, onde ingressou no Serviço Público, constituiu família e se bacharelou em Direito (CEUB, turma de 1972).

Em 1966, ingressou na Loja Maçônica União e Silêncio, federada ao Grande Oriente do Brasil.

Exerceu diversas funções maçônicas, destacando-se a de Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal (gestã0 2003-2007).

Recebeu  várias comendas maçônicas, dentre as quais a Cruz da Perfeição, após quarenta anos  de atividades na Arte Real.

Participou do 4º Ciclo da ADESG-DF (turma 1975).

É Cidadão Honorário de Brasília, título concedido pela Assembleia Distrital Legislativa do Distrito Federal.

Presidiu a APAE-DF, tendo exercido o cargo de Procurador Geral da Federação Nacional das APAEs.

Produções literárias:  Ensaio –“ Maçonaria e Intelectualidade” (1989); Diário de Viagem – “Cuba, uma Ilha, dois países” (2002); “100 Peças de Arquitetura” (2010, organizado com Kleber S. Nascimento).

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Abel Tolentino
WebMaster

Atualização 03/03/2026

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