
BANQUETE MAÇÔNICO - ANTIGA TRADIÇÃO DA ARTE DE COMER BEBER E DE FESTEJARHelio Pereira Leite
Os usos e costumes dos comes e bebes, parecem ser ecos do convívio largamente ocorrido no século XII ou anteriores. Os trabalhadores medievais tomavam as refeições em suas "Lojas" num prédio ao lado da construção, após a longa jornada do dia, frequentemente na madrugada ou no ocaso do dia. A cada dia, no final das tarefas dedicavam-se ao descanso, à diversão. Esta tradição foi introduzida pelas Corporações, que exaltavam a manutenção dos costumes medievais, como ainda hoje é feito, tendo como exemplo as festas cerimoniais da City Corporations e Livery Companhies. Nas Corporações alemãs, o banquete "Irmãos de refeição" ocorre em uma sessão que acontece conforme as antigas tradições das corporações. Os maçons daquela época sabiam que o uso do termo "beber e comer", no ritual maçônico, não significava tão somente comer e beber. Em algumas Lojas, nos idos de 1700, os irmãos bebiam, fumavam e às vezes comiam durante as refeições, sentados à mesa, às vezes em forma de ferradura. Por isso os nossos irmãos das Lojas especulativas inglesas eram chamados maçons de "faca e mesa". Fumar, na Grande Loja Inglesa, era comum nos seus primeiros dias de existência, mas foi proibido em 1755, por ter sido considerado uma indecência, que nunca deveria ter acontecido em qualquer assembleia solene. Com o tempo este costume tornou-se impopular e finalmente proibido na maioria das Lojas. A Loja Fidelity (Fidelidade) nº 05, proibiu o fumo no ano de 1802. Também se permitia fumar em Lojas americanas, até recentemente, e é possível que algumas Lojas ainda o permitam. O costume de desejar o bem ao irmão surgiu no século XVI, provavelmente, ou em séculos anteriores. Este ato consistia em colocar um pedaço de torrada dentro de um copo com vinho ou licor (o copo do amor) o qual passava de boca em boca, até completar seu circuito e voltar ao local do Mestre da Loja, que bebia e comia o que sobrara no copo. Esse costume era extremamente popular na Europa daquele tempo, e é possível supor que, mesmo no curso de uma cerimônia de iniciação, em algumas Lojas do início do século XVIII, os irmãos tenham ingerido um brinde "ao coração que concilia e à língua que nunca revela!". Os maçons alemães realizavam uma festa na qual se procedia a brindes, com cerimônia e precisão. Era tradição, nas festas e jantares maçônicos, os brindes serem seguidos de discursos. O Mestre da Loja mantinha em sua mesa um manual, mostrando a sequência ou a precedência a ser observada. O primeiro brinde/discurso era dirigido ao "Rei e ao Reino". Uma nota sobre este brinde, de autoria de John P. Simpson, em 1910, foi comunicada às Lojas por Sir Edward Lechworth, Grande Secretário de memória referenciada, que, em assim fazendo, observou que na visão de algum irmão, seria mais leal fazer o primeiro brinde somente ao "Rei. O brinde com o discurso já existia nos idos de 1700, e, provavelmente, muito antes. Anderson destaca que o brinde foi bebido no festival de 1719. Uma Carta autorizada pelo Grão-Mestre, em 1757, estatuía que "As nossas saúdes na Loja são, primeiro ao Rei e ao Reino, com 3.3. Os maçons "modernos" e "antigos" concordaram nesta matéria. Os antigos em 1760 e em 1761, gravaram os brindes com honras maçônicas. Em 1760, era rei George II e, em 1761, George III, e nenhum deles era maçom. O brinde nunca omitido diz respeito ao "Irmão Visitante"; no entanto, poucas Lojas tinham suas próprias canções para serem oferecidas aos irmãos visitantes. Por fim, o brinde do "Irmão ausente" era feito em determinada hora da noite. Esteve em uso em algumas Lojas, por muitos anos, antes de 1914, tendo sido muito usado no decorrer da Primeira Guerra Mundial. O "Fogo do Silêncio", que então com frequência era feito, não era parte essencial do brinde. Observa-se que estes costumes de antigamente ainda estão vigentes em nossos rituais atuais, em uso para os nossos banquetes maçônicos, pelo menos no Brasil e no Grande Oriente do Brasil. Ou seja, se o banquete é uma velha tradição de comensalidade maçônica, que vem sendo preservada, seus usos e costumes continuam sendo mantidos, embora não percebidos pelos maçons do presente. Helio Pereira Leite - Um Eterno Buscador
Helio Pereira Leite, Nasceu em Fortaleza – Ceará, em 07 de agosto de 1940. Em 1959, concluiu o Curso Científico, no Liceu do Ceará. Ainda em Fortaleza, fez o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR de Fortaleza, turma de 1960). Em São Luís (Maranhão) serviu como Oficial R-2 de Infantaria, no 24° Batalhão de Caçadores. A partir de l963, radicou-se em Brasília, onde ingressou no Serviço Público, constituiu família e se bacharelou em Direito (CEUB, turma de 1972). Em 1966, ingressou na Loja Maçônica União e Silêncio, federada ao Grande Oriente do Brasil. Exerceu diversas funções maçônicas, destacando-se a de Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal (gestã0 2003-2007). Recebeu várias comendas maçônicas, dentre as quais a Cruz da Perfeição, após quarenta anos de atividades na Arte Real. Participou do 4º Ciclo da ADESG-DF (turma 1975). É Cidadão Honorário de Brasília, título concedido pela Assembleia Distrital Legislativa do Distrito Federal. Presidiu a APAE-DF, tendo exercido o cargo de Procurador Geral da Federação Nacional das APAEs. Produções literárias: Ensaio –“ Maçonaria e Intelectualidade” (1989); Diário de Viagem – “Cuba, uma Ilha, dois países” (2002); “100 Peças de Arquitetura” (2010, organizado com Kleber S. Nascimento). Do maçom Helio Pereira Leite veja também os artigos: - Conselho Federal do Grande Oriente do Brasil; - Pai, Tempo, e a Virgem Chorosa. - Ordem, Lei e Justiça, As Três Colunas Mestras do Grande Oriente do Brasil - Encontro Nacional das Academias Maçônicas de Letras - Grande Oriente do Brasil, Uma Federação Maçônica Republicana - Grão-Mestres Gerais do Grande Oriente do Brasil - Saudação a Cleber Tómas Vianna - Potências Maçônicas e as Academias de Letras, Artes e Ciências Maçônicas - O Poder Legislativo do Grande Oriente do Brasil se instala na cidade de Blumenau - Na vida tudo passa, Só fica a Fotografia - 1º Congresso Nacional das Academias Maçônicas - CONAMA - Banquete Maçônico - Antiga Tradição da Arte de Comer Beber e de Festejar - Grão-Mestres Gerais do Grande Oriente do Brasil com quem Convivi e Convivo - Lauro Sodré: Arquétipo do Grão-Mestre Estadista na Maçonaria Brasileira - O Brasil e o Grande Oriente do Brasil: uma dívida histórica de memória e reconhecimento - Grão-Mestres Gerais por Decreto: o Legado de dez Maçons à Ordem e ao Brasil - A mesa como símbolo universal: o Mestre de Banquetes e a Fraternidade Humana Vídeos
Abel Tolentino Atualização 03/03/2026 O que é a maçonaria - Histórico da Loja - Eventos - Fotos - Fraternidade Feminina - Rito Brasileiro - Peças de Arquitetura - Avental - Brasão - Assembleia - Academia |