HELIO PEREIRA LEITE

Um Eterno Buscador

Helio Pereira Leite, Nasceu em Fortaleza – Ceará, em 07 de agosto de 1940. Em 1959, concluiu o Curso Científico, no Liceu do Ceará.

Ainda em Fortaleza, fez  o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR de Fortaleza, turma de 1960).

Em São Luís (Maranhão) serviu como Oficial R-2 de Infantaria, no 24° Batalhão de Caçadores.

A partir de l963, radicou-se em Brasília, onde ingressou no Serviço Público, constituiu família e se bacharelou em Direito (CEUB, turma de 1972).

Em 1966, ingressou na Loja Maçônica União e Silêncio, federada ao Grande Oriente do Brasil.

Exerceu diversas funções maçônicas, destacando-se a de Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal (gestã0 2003-2007).

Recebeu  várias comendas maçônicas, dentre as quais a Cruz da Perfeição, após quarenta anos  de atividades na Arte Real.

Participou do 4º Ciclo da ADESG-DF (turma 1975).

É Cidadão Honorário de Brasília, título concedido pela Assembleia Distrital Legislativa do Distrito Federal.

Presidiu a APAE-DF, tendo exercido o cargo de Procurador Geral da Federação Nacional das APAEs.

Produções literárias:  Ensaio –“ Maçonaria e Intelectualidade” (1989); Diário de Viagem – “Cuba, uma Ilha, dois países” (2002); “100 Peças de Arquitetura” (2010, organizado com Kleber S. Nascimento).

É fundador e presidente da Academia Nacional de Maçons Imortais - ANMI

SESSENTA ANOS DE MAÇONARIA: REFLEXÕES ENTRE DUAS CAMINHADAS

Na data de hoje, dia 26 de fevereiro de 2026 completo sessenta anos de iniciação maçônica no Grande Oriente do Brasil. Datas assim não convidam à celebração ruidosa, mas á reflexão serena. A Maçonaria ensina que o verdadeiro balanço da vida não se faz pelas honrarias recebidas, mas pelo caminho percorrido e pelas obras deixadas.

Ao revisitar minha trajetória, percebo que ela sempre caminhou, de forma curiosa e quase simbólica, ao lado da trajetória de Joaquim Gonçalves Ledo, um dos grandes protagonistas da Independência do Brasil e fundador do Grande Oriente do Brasil.

Tal aproximação talvez não seja mero acaso. Nasci na Rua Gonçalves Ledo, na cidade de Fortaleza, Ceará. Muito antes de minha iniciação, portanto, aquele nome já fazia parte do meu cotidiano. Depois de ingressar na Ordem, passei a estudar a vida desse notável brasileiro e, desde então, encontrei em sua história uma fonte permanente de inspiração.

Gonçalves Ledo nasceu no Rio de Janeiro em 1781. Ainda jovem mudou-se para Portugal para estudar Direito, curso que não chegou a concluir. Retornou ao Brasil em 1808 já iniciado na Maçonaria, iniciando uma trajetória marcada pela defesa da liberdade, pela atuação política e pela construção institucional da Ordem em terras brasileiras. Faleceu em 1874, aos 66 anos de idade, após 39 anos de vida maçônica.

Nossas trajetórias apresentam diferenças evidentes, mas também paralelos que o tempo tornou visíveis, embora a dele com certeza foi muito mais importante que a minha.

Ele não concluiu o curso jurídico; eu conclui e tornei-me advogado. Ele foi jornalista atuante nos debates políticos da época; não sou jornalista profissional, mas encontrei na escrita – especialmente em artigos de estilo jornalístico - uma forma de reflexão e contribuição intelectual. Dizem que escreveu um livro; eu escrevi vários, dedicados à temática maçônica e à preservação de sua memória histórica.

No campo institucional, as convergências tornam-se ainda mais significativas. Gonçalves Ledo exerceu o cargo de Conselheiro do Imperador Dom Pedro I e participou diretamente das articulações políticas que moldaram o nascente Estado brasileiro. Em minha caminhada tenho a honra de exercer a função de Conselheiro Federal do Grão-Mestrado Geral do Grande Oriente do Brasil, além de atuar por dezenove anos como deputado federal maçônico. Ele ocupou o cargo de Deputado federal por mais de uma vez.

Ele participou da fundação do Grande Oriente do Brasil, ajudando a erguer as bases da Maçonaria nacional. Em minha jornada auxiliei na fundação de diversas Lojas maçônicas no Grande Oriente do Distrito Federal - GOB, colaborando para a expansão e fortalecimento da Ordem em outra etapa histórica.

Há também diferenças simbólicas interessantes. Gonçalves Ledo não ocupou o Trono de Salomão em Loja. Já eu tive a honra de assumir o Primeiro Malhete da Loja onde fui iniciado por cinco vezes, como Venerável Mestre, além de servir por quatro anos como Grão-Mestre Distrital. Se ele foi sobretudo o estrategistas político da Ordem nascente, procurei ser um trabalhador da administração , da formação e da continuidade institucional.

Outro ponto que naturalmente desperta reflexão é o tempo. Ledo dedicou 39 anos à Maçonaria. Eu alcanço agora seis décadas de vida maçônica ativa. Não se trata de comparação, mas de continuidade histórica. Cada geração recebe a obra inacabada das mãos da anterior e a transmite adiante, um pouco mais sólida.

Talvez resida ai o verdadeiro paralelo entre nossas trajetórias: ambos procuramos servir. Em épocas distintas, enfrentando desafios diferentes, mas guiados pelos mesmos princípios de liberdade, fraternidade, aperfeiçoamento moral e compromisso com a instituição maçônica.

A Maçonaria ensina que nenhum obreiro trabalha para si mesmo; trabalha para o Templo invisível que atravessa os séculos. Alguns lançam os alicerces, outros erguem as colunas, outros preservam a estrutura para que não se perca com o tempo.

Gonçalves Ledo pertenceu à geração que ajudou o Brasil a nascer como nação independente. Minha geração recebeu a missão mais silenciosa – manter viva a chama institucional, fortalecer Lojas, formar irmãos e preservar valores em tempos muitas vezes marcados pela pressa e pela superficialidade.

Ao completar sessenta anos de iniciação, não vejo conquistas pessoais, mas uma longa caminhada de aprendizado. A Maçonaria não transforma homens em personagens históricos; transforma-os em trabalhadores constantes de si mesmos.

Se existe alguma semelhança entre minha trajetória e a de Gonçalves Ledo, talvez ela resida apenas nisso: na perseverança em servir, na crença nos ideais da Ordem e na convicção de que o verdadeiro legado maçônico não está nos cargos ocupados, mas na obra silenciosa que permanece depois de nós.

Sessenta anos depois, continuo aprendiz do mesmo caminho iniciado naquele distante dia de fevereiro de 1966 – consciente de que a construção do Templo interior jamais se conclui.

Helio P. Leite – um eterno buscador
Brasília, df, 26 de Fevereiro de 2026

 

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Abel Tolentino
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Atualização 03/03/2026

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