Soneto da Fidelidade Vinicius de Moraes De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, pôsto que e chama Mas que seja infinito enquanto dure. Para minha esposa Maria José S. Tolentino e todas nossas cunhadas. |
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